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Ficha técnica de restaurante: como montar, calcular o CMV e fazer cada venda baixar o estoque

Por Victor Ferreira · 26 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

A ficha técnica de restaurante lista cada insumo do prato com a quantidade, o fator de correção e o custo. A soma dá o custo do prato. Ligada às vendas de todos os canais, ela baixa o estoque e mostra o CMV teórico. A contagem mostra o real, e a diferença é o que se perdeu.

O que vai numa ficha técnica de restaurante?

A ficha técnica traz os insumos do prato, a quantidade, a perda no preparo, o rendimento, o modo de preparo e o custo. Com ela, o prato sai igual em qualquer turno, e o custo deixa de ser estimativa.

Os campos que fazem a ficha funcionar:

Preparos de base, como molho, cebola caramelizada e massa, viram sub-receitas. Cada uma tem a sua ficha, e o prato usa a sub-receita como se fosse um insumo.

Como calcular o custo do prato com fator de correção?

Multiplique o peso líquido pelo fator de correção para achar o peso bruto. Depois, multiplique o peso bruto pelo preço de compra. A soma dos insumos é o custo do prato.

O fator de correção é o peso bruto dividido pelo peso líquido. Se 1 kg de cebola rende 870 g limpos, o fator é 1,15. Sem esse fator, a ficha conta a cebola limpa pelo preço da cebola com casca.

Exemplo com um smash burger. Os preços são ilustrativos:

Insumo Peso líquido Fator de correção Peso bruto Preço de compra Custo
Pão brioche 1 un 1,00 1 un R$ 1,80/un R$ 1,80
Blend bovino 160 g 1,00 160 g R$ 45,00/kg R$ 7,20
Cheddar 2 fatias 1,00 2 fatias R$ 0,70/fatia R$ 1,40
Cebola 30 g 1,15 34,5 g R$ 6,00/kg R$ 0,21
Molho da casa (sub-receita) 20 g 1,00 20 g R$ 25,00/kg R$ 0,50
Custo do prato R$ 11,11

Vendido a R$ 38 no salão, o insumo é 29,2% do preço. No delivery, com R$ 1,20 de embalagem, o custo vai a R$ 12,31, ou 32,4%.

Esse número por canal entra na conta da margem. No app, ainda saem a comissão e a taxa de pagamento, como mostramos em quanto sobra de cada pedido do iFood.

Como calcular o CMV do restaurante?

O CMV do mês é o estoque inicial mais as compras, menos o estoque final. Dividido pelo faturamento, ele vira percentual. Essa é a fórmula que a Stone publicou em fevereiro de 2026.

O mesmo texto da Stone diz que o CMV costuma ficar entre 25% e 35% do faturamento bruto. Acima de 40% de custo com ingredientes, o lucro líquido fica comprometido. A faixa muda com o tipo de casa: pizzaria, hamburgueria e restaurante a quilo têm custos diferentes.

O ponto que muda a análise: existem dois CMVs.

A Saipos, em página atualizada em agosto de 2026, descreve o real como o custo efetivo, com desperdício e erros operacionais. Os números abaixo são um exemplo de um mês:

Conta do mês (exemplo) Valor
Estoque inicial R$ 8.000
Compras R$ 14.000
Estoque final (contagem) R$ 7.500
CMV real R$ 14.500
Faturamento R$ 48.000
CMV real sobre o faturamento 30,2%
CMV teórico (fichas × vendas) R$ 13.200, ou 27,5%
Diferença R$ 1.300, ou 2,7 pontos

Os R$ 1.300 são o que saiu do estoque sem virar venda. Em doze meses, passam de R$ 15 mil neste exemplo.

Por que o CMV real fica acima do teórico?

Porque parte do insumo sai sem passar por uma venda registrada. As causas mais comuns são perda, porção maior que a ficha, ficha desatualizada e venda que não baixou o estoque.

Desperdício é rotina no setor. Numa pesquisa da Ticket com a Comida Invisível, publicada em outubro de 2022, 61,5% de 175 estabelecimentos geravam sobras todos os dias.

As causas, com o que fazer em cada uma:

Causa Como aparece O que fazer
Perda não lançada Insumo vencido vai para o lixo sem registro Lançar a perda no dia, com motivo
Porção maior que a ficha O blend sai com 180 g em vez de 160 g Balança na bancada e foto na ficha
Ficha desatualizada O fornecedor mudou e o preço subiu Atualizar o preço pela última nota
Adicional sem ficha Bacon extra e troca de pão não baixam nada Ficha para cada adicional e opção
Unidade trocada A compra é em caixa e a ficha é em grama Conversão fixa por insumo
Venda fora do sistema Pedido do app ou do WhatsApp anotado à parte Todos os canais no mesmo sistema

A última causa é a mais silenciosa. Segundo a Abrasel, em pesquisa publicada em março de 2025, os marketplaces somam 54% do faturamento do delivery. Se esses pedidos ficam num tablet separado, mais da metade do delivery não baixa o estoque.

Como fazer cada venda baixar o estoque?

Ligue cada item do cardápio à sua ficha técnica no mesmo sistema que recebe as vendas de todos os canais. A venda, então, baixa os insumos na hora, sem planilha no fim do dia.

Do lado do sistema, quatro peças precisam estar certas:

  1. Produto ligado à ficha. Cada item do cardápio aponta para uma ficha, e cada ficha para os insumos e sub-receitas.
  2. Opções e adicionais com ficha própria. O "sem cebola" deixa de baixar a cebola; o "bacon extra" baixa o bacon.
  3. Combos ligados aos produtos. O combo baixa o lanche, a batata e a bebida, cada um pela sua ficha.
  4. Venda de todos os canais no mesmo lugar. Salão, balcão, apps, WhatsApp e loja própria entram na mesma fila. Cada venda baixa o mesmo estoque.

Com isso pronto, o estoque mínimo passa a funcionar. O insumo que cruza o mínimo entra na lista de compras, e a contagem semanal mostra a diferença entre o teórico e o real.

Comece pelos 10 pratos que mais vendem. Por venderem mais, eles concentram boa parte do consumo, e a ficha deles já mostra onde o custo escapa.

Como o CERNE resolve

No CERNE, a ficha técnica baixa o estoque a cada venda, e o insumo abaixo do mínimo entra na lista de compras.

O pacote nasceu na operação da Ammo Burger, em Brasília. Lá, a venda do site, da mesa e do balcão já baixa o estoque pela ficha. Veja o fluxo "Cada venda baixa o estoque" na página de food service e os cartões de estoque e caixa.

Comece pelo diagnóstico

A diferença entre o CMV teórico e o real é um dos primeiros números que levantamos numa operação. Comece pelo diagnóstico da sua operação: a nossa equipe monta as fichas dos pratos que mais vendem e mede essa diferença com você. Agende o diagnóstico.

Perguntas frequentes

O que é ficha técnica de restaurante?
É o registro de cada prato com os insumos, a quantidade de cada um, a perda no preparo, o rendimento e o custo. Ela padroniza o preparo e é a base do custo do prato e do controle de estoque.
Como calcular o fator de correção de um alimento?
Divida o peso bruto, como o insumo foi comprado, pelo peso líquido, depois de limpo. Se 1 kg de cebola rende 870 g limpos, o fator é 1,15. Para usar 30 g limpos, compre 34,5 g.
Qual o CMV ideal para restaurante?
Não há um número oficial único. A Stone, em fevereiro de 2026, indica que o CMV costuma ficar entre 25% e 35% do faturamento bruto. Acima de 40%, a margem fica comprometida, segundo o mesmo texto.
Qual a diferença entre CMV teórico e CMV real?
O teórico é o que as fichas técnicas dizem que as vendas deveriam consumir. O real sai da contagem do estoque: estoque inicial mais compras menos estoque final. A diferença é perda, desperdício, erro de porção ou venda que não baixou o estoque.
Como fazer o estoque baixar sozinho a cada venda?
Ligue cada produto do cardápio à sua ficha técnica no sistema, inclusive adicionais e combos, e faça todos os canais lançarem a venda no mesmo sistema. Pedido de app que fica fora do sistema não baixa o estoque.
Adicional e opcional precisam de ficha técnica?
Sim. O bacon extra e a troca de pão consomem insumo. Sem ficha própria, eles somem do cálculo e o CMV real fica acima do teórico sem explicação.
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Fontes

  1. Stone, O que é CMV e como calcular no restaurante, 24/02/2026
  2. Saipos, CMV real, atualizado em 31/08/2026
  3. Ticket e Comida Invisível, pesquisa com 175 estabelecimentos, via Mercado & Consumo, 03/10/2022
  4. Abrasel, canais do delivery, via Mercado & Consumo, 16/03/2025
Victor Ferreira · Sócio da IF Soluções. Responde pela arquitetura do CERNE: módulos, integrações, dados e segurança.

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