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Como calcular o preço de um serviço com hora, material e deslocamento

Por Igor Costa · 26 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

Para calcular o preço de um serviço, some a hora real de quem atende, com o trajeto. Some também o material, o deslocamento e uma parte do custo fixo. Depois divida o total por 1 menos impostos, comissão, taxa do cartão e margem. Numa instalação com R$ 601 de custo, o preço mínimo fica perto de R$ 960.

Quanto custa de verdade a hora de quem atende?

Custa o gasto mensal completo da pessoa, dividido pelas horas em que ela de fato atende. Não é o salário dividido pelas horas do contrato.

Um artigo da Comunidade Sebrae PR sobre preço de serviço avisa: dividir o salário por 160 horas subestima o custo real. A taxa interna precisa incluir encargos, benefícios, férias, 13º, ferramentas e supervisão.

E nem toda hora vira atendimento. Parte do mês vai para espera, treinamento, compra de material e retorno de garantia.

A tabela usa números de exemplo de uma instaladora de ar-condicionado com 3 técnicos.

Item (exemplo) Valor Conta
Custo mensal de um técnico, com encargos, benefícios e ferramentas R$ 5.600 —
Horas de atendimento por técnico no mês, com trajeto 140 h Das cerca de 176 h do mês
Custo da hora do técnico R$ 40 R$ 5.600 ÷ 140 h
Custo fixo da empresa: aluguel, escritório, sistema, contador R$ 8.400 —
Horas de atendimento da equipe 420 h 3 técnicos × 140 h
Custo fixo por hora R$ 20 R$ 8.400 ÷ 420 h
Custo de cada hora de atendimento R$ 60 R$ 40 + R$ 20

Se a empresa usasse só o salário de R$ 3.000 dividido por 220 horas, a hora sairia por R$ 13,64. O orçamento nasceria com menos de um quarto do custo real de R$ 60.

Como colocar o deslocamento e o material no preço?

O deslocamento tem duas partes: o veículo e o tempo de quem está dirigindo. O material entra pelo custo de compra, com a perda que acontece na obra.

Um erro comum é cobrar a "visita técnica" com valor fixo para qualquer bairro. O cliente perto paga demais, e o cliente longe dá prejuízo.

Para o orçamento ficar simples, use faixas: até 10 km, de 10 a 25 km, acima de 25 km. E junte as visitas da mesma região no mesmo dia. A rota em ordem corta o deslocamento sem mexer no preço.

Qual a fórmula para calcular o preço do serviço?

Preço = custo direto ÷ (1 − soma dos percentuais sobre o preço). É o markup divisor, o mesmo método que a Comunidade Sebrae PR descreve para o preço de venda.

O custo direto é o que você gasta para fazer o serviço. Os percentuais são o que sai do preço depois da venda: impostos, comissão, taxa do cartão e a margem que você quer.

A tabela calcula o preço de uma instalação de split. Os valores são de exemplo.

Item da instalação (exemplo) Conta Valor
Horas no cliente 3 h × R$ 60 R$ 180
Trajeto de ida e volta 1 h × R$ 60 R$ 60
Veículo 18 km × R$ 1,50 R$ 27
Material, com perda Tubulação, cabo, suporte R$ 310
Fator de ineficiência 10% das horas R$ 24
Custo direto — R$ 601
Impostos 6% do preço —
Comissão do técnico 8% do preço —
Taxa do cartão 3% do preço —
Margem desejada 20% do preço —
Soma dos percentuais — 37%
Preço mínimo R$ 601 ÷ 0,63 R$ 954, arredondado para R$ 960

Os 6% de impostos são a alíquota da primeira faixa do Anexo III do Simples Nacional, até R$ 180 mil de receita em 12 meses. Algumas atividades caem no Anexo V, conforme a folha. Confirme a sua alíquota com o seu contador.

O fator de ineficiência vem do mesmo artigo do Sebrae PR: de 10% a 15% para reunião extra e retrabalho. Aqui, ele cobre também a volta para buscar uma peça.

O que acontece quando o preço é o "preço de mercado"?

Acontece de o serviço dar prejuízo sem ninguém perceber. Muitos negócios copiam o preço do concorrente e só descobrem a margem no fim do ano.

A mesma instalação, em três preços de exemplo:

Preço cobrado (exemplo) Impostos, comissão e cartão (17%) Custo direto Sobra Margem
R$ 700 R$ 119 R$ 601 − R$ 20 Prejuízo
R$ 850 R$ 144,50 R$ 601 R$ 104,50 12,3%
R$ 960 R$ 163,20 R$ 601 R$ 195,80 20,4%

O preço de R$ 700 parece competitivo, mas cada instalação tira R$ 20 do caixa. Com 30 instalações no mês, são R$ 600 de prejuízo, antes de qualquer imprevisto.

Isso não quer dizer que o preço do concorrente não importa. Quer dizer que ele precisa ser comparado com o seu custo. Se o mercado paga R$ 850, a pergunta passa a ser onde cortar custo: trajeto, material ou hora parada.

Por que um serviço dá margem e outro não?

Porque o peso do deslocamento e da hora muda de serviço para serviço. O serviço curto e barato sofre mais com o trajeto.

Uma higienização de split, no mesmo exemplo:

Higienização (exemplo) Valor Parte do preço
Preço R$ 250 100%
Horas no cliente R$ 75 30%
Deslocamento: trajeto e 22 km R$ 73 29%
Produto R$ 30 12%
Impostos, comissão e cartão R$ 42,50 17%
Sobra R$ 29,50 12%

O deslocamento leva 29% do preço, quase o mesmo que o trabalho no cliente. Há três saídas, e elas podem ser combinadas:

Faça essa conta por serviço, com as ordens reais do mês. A média da empresa esconde o serviço que paga a conta e o que tira dinheiro dela.

O que o orçamento precisa mostrar ao cliente?

O orçamento precisa discriminar o que você somou. É também uma regra do Código de Defesa do Consumidor.

Pelo art. 40 do CDC, o orçamento prévio mostra o valor da mão de obra, dos materiais e dos equipamentos. Mostra ainda as condições de pagamento e as datas de início e término. Sem outra combinação, ele vale 10 dias.

Depois de aprovado, o orçamento obriga as duas partes e só muda por nova negociação. Por isso, o erro de cálculo fica com quem orçou. E pelo art. 39, inciso VI, executar o serviço sem orçamento e autorização expressa é prática abusiva.

O orçamento discriminado ajuda a vender. O cliente vê por que a instalação custa R$ 960, e a conversa sai do "está caro". Para o que vem depois do orçamento aprovado, leia o que a ordem de serviço precisa ter.

Como o CERNE resolve

O CERNE oferece o custo de cada serviço calculado em cada ordem, com a margem do mês por tipo de serviço.

O pacote de serviços começa pelo diagnóstico do seu negócio. Ele usa módulos que já rodam em clientes do CERNE: a agenda por profissional, o quadro com dono e prazo e a aprovação pelo link. Veja o fluxo da margem na página de serviços e os cartões de cada função.

Comece pelo diagnóstico

As tabelas deste texto usam números de exemplo. As do seu negócio usam as suas ordens, os seus técnicos e o seu veículo. Comece pelo diagnóstico da sua operação: a nossa equipe calcula o custo e a margem de cada serviço com você. Agende o diagnóstico.

Perguntas frequentes

Como calcular o preço de um serviço?
Some o custo direto do serviço: as horas de quem atende, inclusive o trajeto, o material, o deslocamento e uma parte do custo fixo. Depois divida por 1 menos a soma dos percentuais sobre o preço: impostos, comissão, taxa do cartão e margem desejada.
Como calcular o valor da hora de um técnico ou profissional?
Divida o custo mensal completo da pessoa, com encargos, benefícios e ferramentas, pelas horas que ela de fato atende no mês. Dividir o salário por 160 horas subestima o custo real, segundo artigo da Comunidade Sebrae PR.
Como cobrar o deslocamento no orçamento de serviço?
Some o custo por quilômetro do veículo e o tempo de trajeto de quem atende, que é hora paga. Para não errar no orçamento, use faixas de distância ou bairros, e junte as visitas da mesma região no mesmo dia.
Quanto colocar de margem de erro no preço do serviço?
Um artigo da Comunidade Sebrae PR sugere somar de 10% a 15% de fator de ineficiência sobre as horas, para cobrir reunião extra e retrabalho. Ajuste pelo histórico: compare as horas orçadas com as horas reais das últimas ordens.
O orçamento de serviço pode mudar depois de aprovado?
Só por nova negociação. Pelo art. 40 do Código de Defesa do Consumidor, o orçamento aprovado obriga as duas partes. Ele precisa discriminar mão de obra, material, condições de pagamento e datas, e vale 10 dias se nada for combinado.
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Fontes

  1. Comunidade Sebrae PR, Como precificar serviços recorrentes sem queimar margem, lido em 26/10/2026
  2. Comunidade Sebrae PR, Preço de venda: como calcular, 25/01/2021
  3. Lei Complementar 123/2006, Simples Nacional, Anexo III
  4. Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078/1990
Igor Costa · Sócio da IF Soluções. Conduz o diagnóstico e a digitalização dos processos dos clientes do CERNE, com mais de 10 anos em comunicação e auditoria de processos.

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